Eu já (dentre outras muitas coisas):
Te guiei, falando contigo ao celular, pelo aeroporto para que você pudesse me achar. (Não, não era pique - esconde ou aquela brincadeira “tá quente, tá frio”);
Peguei avião, despachei bagagem no porão a contragosto, sacolejei uma noite inteira num ônibus, aguentei mau humor de atendente de locadora de veículo;
Dirigi debaixo de chuva torrencial ou então sob um calor infernal numa sauna prata da marca Chevrolet por intermináveis 6 horas com a tia (Tia Marta, adoro você!) falando pelo cotovelos;
Conheci o sogro (que já é meu aliado), a sogra (que me adora), o filho canino (que às vezes não me reconhece e late p/ mim), os irmãos, as cunhadas, as sobrinhas e o sobrinho;
Comi o churrasco feito pelo irmão ciumento, cai no conto-do-vigário do irmão preguiçoso;
Comi fatuche porque nunca tinha experimentado, pastel tarde da noite só porque você o tinha feito, não comi a muqueca do Curuca por motivos até hoje incertos, comi filé ao molho madeira quando o carro-chefe do restaurante era bacalhau, comi pizza marguerita insossa e comi o seu pastel de metro porque você não agüentou comê-lo;
Fui à Guarapari, ao Maracanã, à Botafogo, à Urca, ao Flamengo e conheci Castelo, Domingos Martins, Marechal Floriano, Cachoeiro do Itapemirim, São José das Torres, Iconha e uns tantos outros povoados fluminenses e capixabas. Mas, não fui à Meíape (ou Meaípe, sei lá);
Acordei cedo sem fazer barulho enquanto você ainda dormia o sono dos justos;
Carreguei todas as malas enquanto você só levava a sua nécessaire;
Te acompanhei a eventos sociais me sentindo um peixe fora d'água, mas eu fiquei ali firme e forte;
Me perdi entre os teus “vira aqui” (que significa direita) e “vira ali” (que significa esquerda);
Experimentei roupa a contragosto porque você queria que eu experimentasse;
Tive ataque de raiva por causa de uma lata de cerveja rolando dentro do carro enquanto procurava lugar pra estacionar o carro;
Não me despedi direito de você em algumas vezes;
Pedi desculpas pela minha ignorância prêt-à-porter, pois não sou nenhum Jacques Leclair ou um Victor Valentino;
Achei que ia ser (novamente) abandonado longe de casa. Por isso eu fiz a melhor caipirinha até então por mim já feita e decidi que, embriagando-me, não sentiria os efeitos da “perda” e da solidão.
Bastante coisa, não? E vou lhe confessar algo: Não reclamo de nada.
Enfim.
Sobrevivi, estou aqui, não fugi, sempre voltei e novamente a encontrarei.
Parafraseando, num momento brega, o rei, “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.
24 julho, 2010
Só o que me interessa
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa
(É o que me interessa - Lenine)
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa
(É o que me interessa - Lenine)
20 maio, 2010
Amor bastante
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
(Paulo Leminski)
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
(Paulo Leminski)
18 maio, 2010
Bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
(Paulo Leminski)
bem lá no fundo,
a gente gostaria de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
(Paulo Leminski)
13 maio, 2010
Para sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará semprejunto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
(Carlos Durmmond de Andrade)
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará semprejunto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”
(Carlos Durmmond de Andrade)
Demorei...
... mas voltei!
E com homenagem (atrasada, eu sei) às mães.
Principalmente, a senhora sedizente minha mãe, a ilustre Dona Rose, que com sua simplicidade, braveza (no sentido nada bíblico da palavra) e valentia me ensina coisas de grande valor.
That's all!
E com homenagem (atrasada, eu sei) às mães.
Principalmente, a senhora sedizente minha mãe, a ilustre Dona Rose, que com sua simplicidade, braveza (no sentido nada bíblico da palavra) e valentia me ensina coisas de grande valor.
That's all!
24 dezembro, 2009
Hora do balanço
Sentado aqui na frente do pc me deu uma daquelas vontades incríveis de chorar, assim mesmo, horas antes da ceia de Natal.
Não sei ao certo o motivo, mas arrisco uns palpites:
- Bichice! (isso quem diria é o Sr. André Zin Ogrofofo da Casa do Ogro);
- Saudade de quem está longe, de quem se foi e não volta mais, de que nem disse "Bye bye, so long, farewell";
- Alegria;
- Sentimento de dever cumprido;
- Tudoissojuntoaomesmotempoagora... Por que não?
É isso.
O ano passou e o 5º ano chegou. E eu estou lá, depois de um pequeno atraso de 1 ano.
De uma forma ou de outra foi uma conquista.
A melhor turma de amigos foi embora e agora, quiçá, só nos encontraremos como partes diferentes, cada uma de lado de uma relação processual nem sempre tranquila.
Enfim. É a vida, não? Vamos vivê-la.
Lá se foi mais um ano... Talvez este seja o derradeiro post no blog deste ano que se finda.
Assim, se eu não os vir mais desejo a todos boas festas!
Não sei ao certo o motivo, mas arrisco uns palpites:
- Bichice! (isso quem diria é o Sr. André Zin Ogrofofo da Casa do Ogro);
- Saudade de quem está longe, de quem se foi e não volta mais, de que nem disse "Bye bye, so long, farewell";
- Alegria;
- Sentimento de dever cumprido;
- Tudoissojuntoaomesmotempoagora... Por que não?
É isso.
O ano passou e o 5º ano chegou. E eu estou lá, depois de um pequeno atraso de 1 ano.
De uma forma ou de outra foi uma conquista.
A melhor turma de amigos foi embora e agora, quiçá, só nos encontraremos como partes diferentes, cada uma de lado de uma relação processual nem sempre tranquila.
Enfim. É a vida, não? Vamos vivê-la.
Lá se foi mais um ano... Talvez este seja o derradeiro post no blog deste ano que se finda.
Assim, se eu não os vir mais desejo a todos boas festas!
20 dezembro, 2009
Prestidigitação*
Então ela me diz:
" - Não há de ser nada, estou sentindo isso..."
E não acontece nada mesmo! Incrível não?
Que sexto sentido aguçado é esse?
* Ou aquilo que desafia as leis físicas e lógicas e toda a explicação racional de algo.
" - Não há de ser nada, estou sentindo isso..."
E não acontece nada mesmo! Incrível não?
Que sexto sentido aguçado é esse?
* Ou aquilo que desafia as leis físicas e lógicas e toda a explicação racional de algo.
05 dezembro, 2009
Ele voltou!
Depois de uma temporada do outro lado do mundo "estudando" (ênfase nas aspas!) a pessoa mais cachorra, salafrária, sem-vergonha, cachorra (sim, de novo), paciente, amiga, cachorra (de novo, tem problema não!), ébria contumaz, sumida e irmão que eu não tive (por isso a liberdade ao adjetivá-lo tão "bem") voltou!
Quer dizer, ainda vai voltar. Pelo que eu sei a esse instante (ou pelo menos no interregno temporal que durar a escrita deste post) ele está em algum lugar entre o céu e a terra, mais perto do céu, num avião da British Airways e chega no meio da tarde. Mas o importante é que ele está vindo já!
Quando ele se foi eu escrevi um texto todo bonitinho (bem fru-fru mesmo), saudoso, chorão e que espero que ele o tenha lido várias vezes durante sua ausência, mas dessa vez não vou repetir a dose.
Chega de fazer todos chorarem. Tá na hora de dar um pouco de risada!
Tudo isso pra dizer uma coisa:
Seja bem vindo! (Porra, senti uma falta do ca-ra-le-o de você viu!)
Quer dizer, ainda vai voltar. Pelo que eu sei a esse instante (ou pelo menos no interregno temporal que durar a escrita deste post) ele está em algum lugar entre o céu e a terra, mais perto do céu, num avião da British Airways e chega no meio da tarde. Mas o importante é que ele está vindo já!
Quando ele se foi eu escrevi um texto todo bonitinho (bem fru-fru mesmo), saudoso, chorão e que espero que ele o tenha lido várias vezes durante sua ausência, mas dessa vez não vou repetir a dose.
Chega de fazer todos chorarem. Tá na hora de dar um pouco de risada!
Tudo isso pra dizer uma coisa:
Seja bem vindo! (Porra, senti uma falta do ca-ra-le-o de você viu!)
20 novembro, 2009
Eu queria...
O que eu queria mesmo, de verdade, era ser piloto de avião.
Entendo um monte de coisas desse tal mundo aéreo e tudo o mais.
Mas não vai dar, pelo menos nessa vida.
Vou mesmo é operar o Direito, a "disciplina da convivência humana" e pronto.
Hum...
Droga, eu ainda piloto um avião!
Entendo um monte de coisas desse tal mundo aéreo e tudo o mais.
Mas não vai dar, pelo menos nessa vida.
Vou mesmo é operar o Direito, a "disciplina da convivência humana" e pronto.
Hum...
Droga, eu ainda piloto um avião!
Assinar:
Postagens (Atom)